domingo, 29 de agosto de 2010

Emails jamais enviados (3 - e ponto final)

Subject: Essa hora


Text: A senhora deve estar perto de sair do hospital de tapa-olho.

Emails jamais enviados (2)

De 2006:

Ricardo,
Acabemos os jornais, isso é o que importa agora.
Abraço,
Eduardo

Emails jamais enviados (1)

Revisando a pasta Rascunhos do Gmail, achei esse principio-e-final de post inacabado, ainda carente de um meio.

O meio não importa. Importam os princípios e os fins.

Publique-se assim mesmo, pois.

***

"Saí do carro e estava frio. A chuva chegava a doer quando batia nas costas, e o Tiago ria e reclamava - 'bah, que programa' - quando se deu conta que não dava mais pra desistir. A gente ia tomar um banho de mar mesmo, naquele dia cinza, chuvoso, frio, e naquela água marrom do Cassino de ressaca.

Saí correndo em parelelo à praia. Já aprendi que se sente menos o choque com o mar gelado se aquecer o corpo antes. E também, pra evitar o risco de desistir ainda na beirinha, convém entrar rebentação adentro sem parar de correr. Disse isso pro meu colega de indiada, gritando, como se eu soubesse das coisas.

Depois de umas 30 passadas o corpo já acusava a mudança causada pelo exercício. A pele já não enchia o saco reclamando da temperatura e do impacto dos pingos; havia agora pernas a animar, sangue a bombear e mais ar a inspirar, expirar, inspirar, expirar. O ambiente não tinha mudado, mas a gente tinha.

Quando a água está azul escura dá a impressão de estar mais fria. O marrom parece mais quente, não me pergunta o porquê.

Nesse dia

(...)

Tudo muda o tempo todo no mundo. E nós também. E, portanto, as nossas impressões."