sábado, 13 de fevereiro de 2010

Os livros do meu pai II

"O homem, quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiências. Ele pretende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos, servindo-se dela, pois acredita que ganhando o mundo, conseguirá ganhar-se a si próprio.


Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio. Encontrá-lo é perde-lo, é contemplá-lo na sua libérrima existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e absoluta inutilidade.


O começo da sabedoria consiste em perceber que temos as mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo. Neste momento, a solidão nos atravessa como um dardo. É meio-dia em nossa vida, e a face do outro nos contempla como um enigma. Feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu.


Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro. A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então, o trabalho do homem que merece o seu nome."

De uma carta de Hélio Pelegrino, em
O Encontro Marcado
Fernando Sabino
P.5

1 comentários:

Bibiana Osório disse...

Sejamos sábios!
Fantastic.

Beijos