sábado, 23 de janeiro de 2010

O princípio da incerteza - Cohen Brothers' cut





The Uncertainty Principle. It proves we can't ever really know... 






...what's going on.


But even though you can't figure anything out you will be responsible for it in the mid-term.


Did you follow that?


***


Quando entrar em cartaz, faz favor, assiste  A Serious Man (trailer e resenha), o último dos irmãos Cohen, de onde sai a citação acima, em cena tragicômica. 


Eu já tinha comentado (a crítica d)o filme aqui, de onde vem essa boa passagem-resumo dSan Diego Union-Tribune:

"Há uma temática que frequentemente os atravessa (os filmes dos Cohen), e que perpassa esse filme(...). Basicamente a ideia é que o universo é aleatório, te proporciona desafios imprevisíveis, e não há nada que tu possas fazer a respeito." 



Se esse tema perpassa todos os filmes dos irmãos Cohen - e perpassa mesmo, digo eu -, foi uma sacada legal meter o protagonista Larry Gopnick a explicar o Princípio da Incerteza de Heisenberg, nesse quadro enorme.


Em palavras simples (e, provavelmente, comprometendo a precisão do enunciado), como deve ter nos explicado o Ferranti naquele laboratório (adjetivo em falta) do Gonzaga, não há como observar um objeto sem interferir nele.


Portanto, mané, te rala: não sabes nada de verdade sobre coisa nenhuma. Te contenta com tuas impressões tortas e vai catar coquinho.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Por um horizonte sem fim

Aí me vem o Cassio Politi e escreve uma parábola sobre os "e se" que nos limitam as perspectivas.
Recomendo.

http://dialetica.org/corrida/2010/01/11/e-se-nao-houver-resposta-2/

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Heróis da motivação

O meu jornal da época acabou não publicando porque era época de dupla Gre-Nal nas alturas. Com dois anos e 6 meses de atraso, portanto, vamos contar a história dos times que, sem chance de título e sem cobertura da imprensa, jogam só por dignidade.

Eram 14h57min de sábado quando o bandeirinha deu uma espiada no vestiário do 14 de Julho, de Santana do Livramento. Viu os jogadores abraçados, "gritando" o Pai Nosso, pedindo ajuda para enfrentar o inimigo que enfrentariam em três minutos: a desmotivação.

A equipe amargava a lanterna da Segundona gaúcha e não tinha chance de classificação. Havia feito apenas um gol no mês de maio.

Na tarde chuvosa em São Leopoldo, a lembrança do mau retrospecto era um adversário mais forte do que o Aimoré, o time local, ou seus 93 torcedores, ou o campo enlameado. Enquanto os jogadores da dupla Gre-Nal correm atrás de títulos e de prestígio profissional, o técnico Rodinei Lucas pede que seus comandados lutem pela dignidade.

- Vamos perder mais uma ficar mais atrás ainda? Como a gente vai recuperar a nossa estima depois? Vamos dizer o que quando chegarmos em Livramento? - provocou, na preleção.

Para Lucas, as próprias dificuldades injetam ânimo nos atletas. Um terço do grupo é composto por amadores, que recebem apenas uma ajuda de custo de R$ 250. Os demais ganham o mesmo salário: R$ 490 líquidos. Todos haviam acordado às 4h - cada um em sua casa, pois não há concentração - para embarcar no ônibus rumo ao local do jogo, a 566 quilômetros da cidade fronteiriça. E não contavam com chuteiras adequadas para chuva.

- Agora é na emoção! Joga pra família, pros torcedores, para mim, para qualquer um! - pediu.

O time atendeu. Urrou, bateu as travas no cimento, entrou em campo e voltou de lá às 16h55min com um heróico 2 a 1 sobre o Aimoré. Em uma partida, fez o dobro dos gols registrados em todo o mês anterior. Paulinho marcou de cabeça aos 12 minutos do primeiro tempo. Toninho ampliou com uma bela cobrança de falta aos 12 do segundo. Beto descontou aos 36 da etapa final.

A vitória manteve a equipe na última colocação, agora com quatro pontos. Encostou no Cruzeiro, de Porto Alegre, e no próprio Aimoré, ambos com a mesma pontuação. A cinco rodadas do fim da competição, os três seguem brigando contra o desânimo.


Atrasado vai de carro

Comissão técnica e 17 jogadores acordaram às 4h para embarcar às 5h no ônibus que os levaria de Santana no Livramento, na fronteira com o Uruguai, a São Leopoldo, na Região Metropolitana. Mas o meia reserva Oséas, 18 anos, dormiu 10 minutos a mais e perdeu a condução. Seus pais não tiveram dúvida: pegaram o carro e dirigiram 556 quilômetros para não deixar o pimpolho de fora da partida. Mesmo chegando a tempo, Oséas não jogou. A família não se importou.

- Estou muito feliz de ter vindo - disse o pai, João Pedro.

"É 'nóis' hoje"

O atacante Paulinho foi um dos líderes da vitória. Tomou a iniciativa de abraçar cada um dos jogadores no vestiário, antes da partida. Segurava o rosto do companheiro e buscava comprometimento olhando no olhos.

- É 'nóis' hoje, cara. Vamos lá - sussurrava.

No campo, o jogador também fez sua parte. Cabeceou para fazer o primeiro gol da partida aos 12 minutos do primeiro tempo, depois de cruzamento da direita. Ao final do jogo, tinha no rosto as marcas da missão cumprida. O rosto imundo de terra, os olhos cheios de lágrimas.

Cabe dentro de um fusquinha

Cinco torcedores do 14 de Julho acompanharam a partida, todos santanenses desgarrados. De Eldorado veio o pintor Élbio Corrales, 58 anos. Ele não perde um jogo na Região Metropolitana.

- Ano passado levamos um laço de 7 a 0 do Sapucaiense, mas a gente não desiste - conta Corrales.
Guaíba enviou Paulo Pereira, 51 anos, torneiro mecânico aposentados.

- O que menos importa é o resultado. A gente vem é para manter a chama acesa. Se a gente parar, quem vai torcer? - emenda Pereira.

Mal sabiam que lá no vestiário os jogadores os citavam como incentivo para ir adiante.


"Asesino"

O apoio verbal do 14 de Julho durante o jogo vinha em espanhol. Enquanto o técnico Rodinei Lucas se preocupava em orientar o posicionamento, o fisicultor uruguaio Sérgio Sanchez tratava de não deixar a turma esmorecer.

- Saquen la pelota si quieren ganar! - recomendava à defesa.

A tensão permanente no reservado rubro-negro só se desfez em um exagero do preparador físico. Ao ver um atacante do Aimoré pisar acidentalmente na barriga do zagueiro Toninho, que havia aplicado um carrinho, Sánchez bradou:

- Asesino!

Os reservas caíram na gargalhada.


O emprego e o sonho


O Aimoré não enfrentava uma situação lá tão diferente da do 14 de Julho. Estava no antepenúltimo lugar, com 4 pontos. Para motivar os jovens jogadores, o técnico Bem-Hur Pereira usou dois argumentos. Primeiro, relembrou que é um privilégio ter um clube pelo qual jogar.

- Todos são profissionais, enquanto existe muitos jogadores desempregados - comparou.

Depois, fez os garotos projetarem o que poderiam viver caso trabalhassem direitinho.

- Estás no Aimoré hoje, amanhã podes ir para um time da primeira, depois para um do Brasileirão, quem sabe um dia a Seleção. Se tens sonhos, tens que trabalhar por eles - ensinou.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Inventário do Mont Serrat

Certa feita me ocorreu caminhar por todas as ruas do bairro onde moro e anotar tudo o que tinha. Foi em um sábado, 19 de maio de 2007. Levei 5 horas para percorrer as 40 quadras - em ritmo de passeio e parada pro almoço.

Acho que se fosse fazer de novo encontraria algumas diferenças: mais academias, talvez ainda mais pet shops, umas padarias e mercados. Naquele tempo não tinha banco - de sacar dinheiro -, agora tem um.

Constatei a juventude da região com dados empíricos, pelo número de edifícios em construção. Quase todos são revestidos com o trio granito, vidro e pastilhas.

Anotei 310 itens. Eis aqui uma seleção: 

39 lojas diversas, 8 delas de moda feminina
37 orelhões
25 edifícios em construção
17 paradas de ônibus
10 cabeleireiros e dois barbeiros
10 estacionamentos
9 pet shops, veterinários ou hotéis de animais (um deles com ofurô, creche e homeopatia)
8 clínicas e consultórios médicos
8 lavanderias, duas com serviços a seco e uma caseira
7 estéticas
6 mercadinhos, 5 deles em esquinas e um com dono antipático
6 restaurantes, sendo um francês e um italiano
6 dentistas
6 confeitarias, das quais duas também são casas de chá
6 escolas de idiomas
6 farmácias, duas delas de manipulação
6 outdoors
5 academias de ginástica
3 lombas-que-carro-não-sobe-em-terceira-marcha
3 prédios com dois andares abaixo do nível da calçada
3 escolas estaduais, uma particular desativada e duas escolinhas infantis
3 pessoas correndo, um casal de namorados passeando
3 pizzarias e 3 lancherias
3 supermercados
2 igrejas católicas, uma batista, um centro espírita e outro de religiões afro-brasileiras
2 batidas de carros, sem mortos ou feridos
1 rua sem saída e outra que termina em uma escadaria, mas depois começa de novo
Unitários: um boteco, uma agência dos Correios, um posto de gasolina, um ponto de táxi, um pé de tamanco perdido, um chaveiro, uma fábrica de fraldas, outra de alimentos congelados, um freteiro, uma Kombi vendendo lenha, um guard rail, uma padaria em obras.

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Filosofia em Barcelona


Boa pergunta.