
Minha parte nesse causo é que editei boa parte do livro. E boa parte desse trabalho (e prazer) foi feito nas mesinhas dos três aviões que peguei para ir de Porto Alegre a São Paulo, de São Paulo a la Ciudad de Mexico, de la Ciudad de Mexico a Miami, e de Miami a San Francisco.
Ali abaixo estão meus comentários.
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Para você, caro dinamarquês que acabou de cair aqui, esclareço que a delegação de um time de futebol chamado Brasil [sim! o mesmo nome do nosso país], da cidade de Pelotas, no extremo sul do território, sofreu um acidente de ônibus depois de um jogo da pré-temporada, no dia 15 de janeiro de 2009.
Três pessoas morreram: o ídolo do time, um uruguaio [sim! ele era estrangeiro] chamado Claudio Milar; um zagueiro daqueles criados aqui, que todo mundo adorava, chamado Régis, um loirinho [sim! ele era brasileiro]; e o preparador de goleiros Giovani Guimarães.
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O livro é uma extensa reportagem apurada e escrita pelo Nauro e pelo Cecconi (parágrafos sobre os dois abaixo). O melhor do texto é o fato de ele ser baseado em apuração jornalística: foi escrito a partir de muitas entrevistas, de documentos como o inquérito e a perícia do acidente, além da observação do local onde o ônibus caiu, daquela região de Canguçu, e do testemunho do Nauro, que esteve lá o tempo todo.
Para quem se envolveu com essa história, é um relato indispensável.
Além de descrever com mais detalhamento e exatidão as coisas que já sabemos porque lemos a cobertura à época, ele traz elementos novos que nos permitem enxergar (com o 'célebro', é claro) o que acontecia, por exemplo, no exato momento em que o motorista entrou na curva antes da capotagem. Passamos a saber, por exemplo, que o Régis e o Alex Martins, dupla de zaga e amigos inseparáveis desde a infância, tinham feito uma brincadeira de péssimo gosto minutos antes. Sabemos também que um dos jogadores estaria de aniversário 30 minutos depois, e que o Milar era um dos pólos de papo no ônibus, distribuindo o mate.
O Cecconi é um jornalista do ClicEsportes que se apaixonou pelo futebol pelotense e pelo Xavante quando foi correspondente da Zero Hora em Pelotas. Criou o blog Cidade Futebol, já encerrado, mas que marcou época entre os fanáticos do futebol pelotense, e do qual sou um dos órfãos. É um obstinado (e obsessivo, talvez), que só não foi pra lá cobrir o acidente porque tem a anti-jornalística mania de desligar o celular de madrugada. Liguei muitas vezes para acioná-lo naquela madrugada - ficamos sabendo do ocorrido perto da meia-noite -, assim como outras pessoas da redação e até a diretora dele, mas não teve jeito. Talvez por remorso, depois ele pediu férias e foi para Pelotas entrevistar meio mundo para escrever o livro.
O Nauro é um apaixonado pela vida, pelas pessoas e por tudo que tenha a ver com Pelotas, e apesar de ter nascido em Novo Hamburgo. É ele quem faz, há 13 anos, com que Pelotas seja sempre bem retratada em Zero Hora. Tanto porque defende a cidade quando porque é ele quem fotografa. Ele talvez seja um chato ainda mais chato do que o Cecconi, aquele tipo de cara que embesta que uma coisa tem que ser feita e não descansa até que ela tenha acontecido. Não teria outro jeito de esse livro sair.
Na divisão dos trabalhos do livro, o Cecconi escreveu o miolo do texto e o Nauro escreveu o primeiro e o último capítulo. Lá no meio do volume também tem 10 páginas de boas fotos do Nauro. O Aldyr Garcia Schlee escreveu o prefácio e deu uma opinião holística sobre os originais, e eu rabisquei um monte a maior parte das páginas para dar uma melhorada no estilo.
Porque não dava mais tempo, deixei de meter a mão em umas 50 páginas do final do livro. Enviei o resultado para o Cecconi via FedEx, diretamente de San Francisco, em 1º de outubro.
1 comentários:
sou uruguaia e moro no Chui, durante toda a minha infancia fui vizinha do Claudio Milar, certamente ficamos muito tristes ao saber da sua tragica morte, fico contente de saber que nao esqueceram ele. O Chui tamben nao esquece. Laura
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