"Caro e pretensioso? Pode apostar. Apareça em um carro popular em vez de um Hummer espichado e o porteiro talvez não reconheça você. Mas dê um pulo no bar da cobertura, digamos, ao pôr-do-sol, e todas as chateações serão perdoadas."
Tá, seu blogueiro imbecil, o que esse trecho tem de tão admirável?
Ah pois é. Não tem nada demais. Só que é leve, descontraído, tem um toque de humor. Não tem nenhuma palavra burocrática. Não tira o corpo fora: não diz "segundo tal pessoa", porque o resenhista assume a autoria das impressões retratadas no texto. Utiliza adjetivos onde eles são cabíveis e justificáveis - pretensioso porque o porteiro pode não te atender em um carro popular, caro porque a diária mais barata sai por R$ 1.120.
Tá, seu blogueiro imbecil, e o que isso tem de diferente em relação aos nossos textos jornalísticos de cada dia?
Tudo. É impressionante como TV/rádio/jornais/revistas/sites costumam confundir objetividade com formalidade textual. A frase do carro popular poderia ser escrita assim:
Um hóspede que pediu para não ser identificado diz não ter sido atendido adequadamente ao chegar ao hotel, e acredita que o tratamento pode ter relação com o fato de ter se deslocado até o local em um automóvel popular.
Em favor do texto duro, há de se considerar que há menos espaço para desenvoltura quando as apurações são menos, digamos, apuradas: se não sabes o bastante sobre o assunto, corres o risco de ser impreciso caso resolvas dar uma tiradinha diferente. Nesses casos há alguma justificativa para o temível "a ação dos bandidos ocorreu (...)".
2 comentários:
Só uma correção, mestre: um jornalista burocrático da gema escreveria aquele trecho assim:
...acredita que o tratamento PODERIA ter relação com o fato de ter se deslocado até o local...
eu literalmente concordo com tudo e assino embaixo!
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