terça-feira, 28 de abril de 2009

Previsibilidade hispânica

Para dar uma mão para os narradores de futebol em tempos de Libertadores, segue uma escalação genérica compatível com qualquer equipe ou seleção de país latino-americano de língua espanhola. Garantimos margem de erro inferior a 20%.

Rojas; Salas, Ramirez e Nuñes; Sánchez, Morales, Gonzales, Velasquez e García; Herrera e Palacios. Técnico: Ignacio Hernandez

Aliás, é provavelmente por causa da previsibilidade que os treinadores hispânicos não costumam tentar esconder a escalação do time antes das partidas.

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Especula-se que o Google trabalha em uma ferramenta capaz de prever com 4 anos de antecedência o plantel das seleções que vai à Copa.

Segundo os relatos, pesquisadores já trabalham com margem de erro inferior a 5% para países eslavos e escandinavos, e que há precisão total em sufixos (son e vic, entre outros).

A maior dificuldade está no continente africano, em que ainda não há garantia do nome com que alguns países chegarão à competição.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Tratado sobre o Uso Figurado de Literalmente

Assim como o amigo Thiago Medeiros e as 8.582 pessoas da comunidade Pelo bom uso do 'literalmente' no Orkut, tenho calafrios ao ler e ouvir por aí o pessoal maltratando o advérbio. A piada do dia vem da Globo.com. Tá lá:


Bom, seria difícil o rapaz voltar caso tivesse literalmente cortado a cabeça antiga e posto uma nova no lugar. Na verdade, o rapaz fez um corte de cabelo novo.

O caso ilustra bem o que se costuma errar. O problema é que muitas pessoas empregam o literalmente em sentido figurado. É uma contradição em termos. É como dizer que uma cerveja está friamente quente.

No Orkut há um exemplo de bom emprego. A comunidade Eu literalmente caio na balada, para pessoas que desabam no chão durante as festas. No sentido oposto, pessoas que se acham pouco convencionais - loucas, no sentido figurado -, se reúnem na comunidade Eu sou literalmente maluka.

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Para auxiliar os lusófonos no uso de tão importante palavra, proponho um breve


Código de Emprego do Vocábulo Literalmente, de 27 de abril de 2009


I - Do uso da palavra


Art. 1° O advérbio literalmente só pode ser empregado em textos, orais ou escritos, em sentido literal.


II - Das definições de sentido


Art. 2° Literalmente significa de modo literal.

Parágrafo único. Considera-se literal aquilo que é expresso conforme a letra do texto, em sentido denotativo, formal e exato; sem figuras ou alegorias, metáforas ou representações.

Art. 3° Literal, no sentido fixado pelo Art. 2, é antônimo de figurado.

Parágrafo único. Considera-se figurado aquilo que é expresso com figuras ou alegorias, metaforicamente ou com representações.


III - Das sanções penais


Art. 4° Usar o vocábulo literalmente em sentido figurado.
Pena - zombaria pública, explícita ou sugerida.


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O Google nos ajuda a encontrar por aí alguns


Bons exemplos


A Globo.com se redime com um título criativo para o vídeo sobre uma moça que saiu correndo nua pelo campo de futebol. Chama-se uma partida de futebol de pelada no sentido figurado, e diz-se que uma moça nua está pelada no sentido literal.

Trata-se de um ponto encontrado no Google Maps em que se realiza lavagem de aviões. Perfeito. Literalmente, lá jatos são lavados.

Sobre um homem que sentiu-se mal durante uma corrida e, depois, durante uma consulta médica, foi informado de que poderia ter morrido.

e

Maus exemplos


Matéria sobre o filme "Os Incríveis". O título refere-se de forma figurada ao nome do filme. Se fosse literalmente incrível, seria um filme sobre o qual não podemos crer.

Pode-se dizer que o Pinocchio ou uma estátua de madeira têm cara de pau. Mas o rapaz em questão usou cara-de-pau para referir-se a si mesmo, em sentido figurado - se diz um cara dado ao amor e à "sacanagem".

Um projeto de construção de pequenos prédios. Em sentido figurado, portanto, prédios serão "levantados".

Outros três péssimos exemplos foram compilados pelo blog Cafeína, em um ótimo texto a respeito do assunto:

"Naquele dia, depois daquela derrota, meu mundo literalmente acabou." (Dita por um antropólogo)

"O Rafael Nadal está uma patrola. Ele literalmente patrolou os adversários." (Dita por um médico)

"Ele literalmente arrancou uma universidade do governo francês." (Dita por um professor)


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Outros tratados



domingo, 26 de abril de 2009

Bar: quatro visões de um conto

As coisas que o YouTube nos proporciona: encontrei lá quatro curtas e uma encenação em sala de aula baseados no conto Bar, de Ivan Ângelo. Estão todos aí abaixo. Um dos curtas é feito por nós, os comandados da Julia Pitthan, em 2006 na Famecos.

nosso Bar (Famecos 2006 - Direção: Julia Pitthan)


Bar da Uniban (1o Semestre de Rádio e TV 2008 - Direção: Cassio Severo e Elisangela Pereira)


Bar do Colégio Estadual de Santa Tereza do Oeste (PR)


Bar da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) (Agência Criatmix - Direção: Felipe Ervilha)


Bar do ator Ronan Carlos (sem mais referências)



Pra não ficar ao final das contas achando que sou um inútil que fuça vídeos, fiz algo útil (?) com essa pesquisa: o

Oscar do Bar

Bom, agora vejam se vocês concordam comigo.


Melhor dono de bar: Bar da Uniban. É bagaceiro o suficiente para o que o papel requer. O nosso, encarnado pelo Sid Magnífico, é simpático demais pra quem vai estuprar uma menininha depois.

Melhor gostosa - critérios gostosura e figurino: Bar da Uniban. Igualmente, é bagaceira como o papel requer.

Melhor gostosa - critério atuação: nosso Bar (Julia Rodrigues). Dá um banho no diálogo ao telefone.

Melhor tensão gostosa x bêbados: Bar da Uniban. Uma das dificuldades do roteiro era manter a atenção no diálogo da guria e, ao mesmo tempo, mostrar que os bêbados estavam loucos para papá-la. É o forte dessa montagem.

Melhor bar (locação): nosso Bar (JB Bar, na Avenida Berlim, em Porto Alegre). Charme incomparável dos azulejos azuis e brancos, da registradora e do balcão frigorífico.

Melhor roteiro adaptado: nosso Bar (Julia Pitthan). Limpou outros elementos que contribuem, no papel, para a construção do cenário do bar, mas que são desnecessários na tela.

Melhor fotografia: nosso Bar (Eduardo Lorea, o modesto). Valeu a pena ter feito um storyboard com fotos dos amigos Negão e Raíza. O da USCS fez enquadramentos bem parecidos.

Melhor trilha sonora: nosso Bar (King Jim e Dudu Ylgueiros). Os outros usaram música do início ao fim, dois deles com samba. O da USCS entristece o enredo.

Melhor final: Bar do Colégio Estadual de Santa Tereza do Oeste. Apagar a luz da sala e dar um gritinho foi o máximo.

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O legal é notar que todos os filmes encontraram dificuldades parecidas. Por exemplo, a fala do dono do bar "é pro bixo" ficou horrível em todas as montagens.

Todo mundo também teve dificuldades com o final, que é só sugerido, não explícito, e depende muito do clima construído ao longo do enredo (o maior mérito da versão Uniban). No da USCS, a guria passa de vítima a assassina - a meu ver, a pior de todas as soluções.

Outra: o texto original tem vários acontecimentos paralelos, que tiram a atenção da narrativa principal, que é o diálogo da guria ao telefone. Não tem como varrê-los todos, mas é preciso dar uma limpada pro roteiro não ficar esquizofrênico. Alguns fizeram melhor, outros pior (bah, que novidade).

Por último, a trilha sonora tem uma influência fortíssima no clima do filme. Acho que samba caía bem, desde que bem usado. Acho que a maioria falhou ao usar trilha do início ao fim, e outros por não vinculá-la aos acontecimentos da tela.

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O próximo passo é achar os autores dos filmes e convidá-los a opinar.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Lonely Planet: Rio de Janeiro

Me peguei duas vezes em uma semana dando dicas de viagem. Ora, isso é coisa pra Tati Klix, que ainda não sabe, mas já se tornou minha consultora.

Ainda assim, me acho capacitado a dizer algo sobre o que fazer no Rio de Janeiro, onde tive o prazer de morar nos idos de 2001/2002. Segue o que recomendei em email aos amigos Jônatas e Eduardo, agora com fotos:

"a) Pacote turista de primeira viagem (que em quase todas as cidades é odioso, mas no Rio é muito legal): Cristo Redentor e Pão de Açucar (uma manhã e uma tarde). Para fazer diferente da horda, é uma boa subir o Morro da Urca (o primeiro do bondinho do Pão de Açúcar) a pé. É uma trilha de 20 minutos e que, ao final, dá a sensação que mereces ver aquela vista, afinal te esforçaste por ela.

b) Kit praia básico: uma manhã ou tarde em Ipanema.

c) Kit praia avançado: uma manhã/tarde na Prainha, linda, mas longe pra caralho, passando o Recreio dos Bandeirantes. Só aconselhável pra quem tá de carro.



d) Roteiro shoppings de Miami (o que mais detesto): uma manhã/tarde na Barra, com BarraShopping, New York City Center e Shopping Rio Design

e) Roteiro compras legais (recomendo, em relação ao anterior): uma tarde pelas lojas de Ipanema/Leblon, com suas grifes, livrarias (da Travessa), sucos do Big Polis, cafés e bares, incluindo
Shopping Leblon, Praça Nossa Senhora da Paz e avenida Visconde de Pirajá. Acoplável à opção B.

f) Roteiro Centro: um dia inteiro conhecendo o Theatro Municipal, a Biblioteca Nacional, o CCBB, a Cinelândia, a Academia Brasileira de Letras, almoço (ou lanche) na Confeitaria Colombo, a Igreja da Candelária, com possível extensão até a Central do Brasil, a minha faculdade, a Sapucaí ou ao Palácio do Catete, que virou um ótimo museu e tem até o pijama com o furo de bala do suicídio do Getúlio.



g) Módulo futebol: inclui ir ao Maraca ou ao Engenhão ver um Fla-Flu, Famengo x Vasco, Botafogo x Fluminense ou coisa que o valha. Sempre tem.



h) Módulo teatro/cinema alternativo/eventos culturais/shows: sempre tem peças boas no Rio, de terça a domingo. Também sempre tem filme iraniano, festival de curtas soviéticos, encontro internacional de flauta transversa, bacanal das artes plásticas das américas, Stones na praia de graça, essas coisas. Os preços são bem melhores que os de POA, e estudante paga meia sempre, com carteirinha. Tem que comprar o Globo e ler o Segundo Caderno. Tá tudo lá. Em geral, são programas às 20h, para os quais é preciso se programar com antecedencia por causa das conduções.



i) Módulo esportes radicais: dá pra voar de asa delta, pulando da Pedra da Gávea. Nunca fui. Tenho vontade. Deve ser caro.



j) Agenda fixa noturna: cumpre todas as noites beber chopp. Dependendo do ânimo da garotada, isso pode ser feito perto de casa, ou em Ipanem/Leblon (bar de sentar e conversar legal, ou opções tipo Ossip na Joana Angélica, ou PUBs) ou na Lapa/Santa Tereza (opções de samba/bossanova/MPB em casas diversas, tipo o Carioca da Gema e o Rio Scenarium).
"