segunda-feira, 23 de março de 2009

I de Iscola

Uma das primeiras utilidades da internet foi fornecer trabalhos escolares prontos para os estudantes de todo o mundo.

Há também um serviço mais sofisticado: soluções customizadas, produzidas on demand, com atendimento personalizado. Precisa de uma monografia urgente? É só encomendar em www.monografiaurgente.com.

Evidentemente, serviços como esse não são exclusividade nacional. Em um mundo cuja língua "opressora" é o inglês, uma reportagem sensacional mostra como uma empresa com sede na Ucrânia e central de atendimento nas Filipinas é a líder no mercado da moleza online. Tudo isso dirigido por um suposto Mr. Mykiuk, que, segundo depoimentos,
é baixinho e "parece o Harry Potter. O pior tipo de Harry Potter."

Além do fato em si, o fantástico é a maneira como o autor, Thomas Bartlett, do The Chronicle of Higher Education, fez essa reportagem. É investigação das boas. Tem pesquisa em bases de dados online, entrevista com fontes em off, visita física à suposta base da empresa, segundo declaram seus websites: uma casa habitada por um inocente Mr. Guevara, em Reston, Virginia.

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Tá, agora outra coisa legal. Sabe de onde veio essa história?
Do blog Freakonomics, hospedado no site do The New York Times. É de acompanhar.

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Não vem muito ao caso, mas relembrar é viver.

Se alguém ainda lembra da Carla Perez, deve lembrar também do episódio do "i de iscola", ao vivo, em rede nacional, pelo SBT, no espetacular programa Fantasia.

Profiçional de futuro

A jornalista resolveu tentar novas oportunidades. Nada melhor do que mandar o currículo a outros colegas jornalistas por e-mail. E, é claro, caprichar no texto da mensagem.

Não teve dúvidas:

"Boa tarde, gostaria de estar colocando meu curriculum para apreciação."

quarta-feira, 11 de março de 2009

Marenquianas II



No domingo 16 de novembro de 2008, deu na capa da ZH uma par de foto e manchete com encaixe perfeito.

"No corredor do inferno" era o título para uma imagem com forte noção de perspectiva, que faz o olhar viajar até o fundo de um ambiente fechado e estreito, cuja luz vem de uma série de rombos nas paredes de alvenaria, adornadas por farrapos de cobertores coloridos.

É a primeira imagem do Daniel Marenco para uma viagem ao interior do Presídio Central de Porto Alegre, considerado o mais sobrecarregado e degradado presídio do país. Muitas outras estão aqui.

Uma ironia do resultado é que, apesar de os ambientes retratados estarem quase sempre vazios, a lente procura e mostra a presença humana - em celas estampadas de desenhos, em roupas penduradas nas grades, na televisão enjambrada, em panelas, ventiladores, facas artesanais, fotos de mulher pelada.

A sucessão de imagens retrata as cores fortes mas desbotadas de paredes e roupas, ora sob luz natural - que invade com uma explosão branca a construção cujo fim é enjaular -, ora sob uma lâmpada incandescente amarelada - que contamina todos os objetos retratados com o tom de pele.

O Marenco também fez as sensacionais fotos (no blog dele: 1, 2 e 3) da série No interior da eleição, cujos textos são meus.

sábado, 7 de março de 2009

Réquiem para um jornal


Não é segredo que os jornais americanos estão sofrendo com a crise e a Era de Aquário. O New York Times tem uma dívida de mais de US$ 1 bi e vendeu um pedaço de si pro Carlos Slim; a colossal Tribune Company, dona do Chicago Tribune e do Los Angeles Times, está sob proteção da lei de falências.

Mas, por enquanto, o maior cadáver da crise é o Rocky Mountain News, de Denver, que tinha uma circulação diária de uns 250 mil exemplares - um pouco mais do que o Estadão, que é o quarto do Brasil.

A coisa legal (se é que se pode dizer isso) do fim do Rocky Mountain é a resposta dos jornalistas ao fechamento do jornal em que eles trabalham. Por instinto, imagino que se poderia fazer

1) Nada, considerando que deve ser difícil encontrar motivação, respeitar chefes, colaborar com editores e fazer o trabalho quando a empresa anuncia que se acabou e que não haverá mais salário.

2) Tudo, considerando que é um momento histórico para o jornal (que completava 150 anos) e para o jornalismo, e que mesmo na tragédia convém mostrar que estávamos ali e havia uma história a ser contada.

Os jornalistas do Rocky ficaram pela segunda opção, como se pode ver no site deles: fizeram uma grande cobertura, em texto, foto e vídeo. O melhor da cobertura é esse documentariozinho abaixo, que está no topo da capa do site, acima da frase final:


"Goodbye, Colorado"





A notar: não é um vídeo institucional sobre o final de uma instituição. Não foi feito pelo departamento de marketing, não tenta passar mensagens positivas sobre o que não pode ser. É um vídeo da redação, com tom jornalístico, que não esconde o terror do fim do jornal e dos empregos.

Justamente o tom e a postura diante do mundo que fazem do jornalismo relevante, e, por relevante, sustentável.

(Na era da internet, porém, ainda não se sabe como.)