sábado, 13 de junho de 2015

Compor e cantar



Elaboração complexa e engenhosa.
Apresentação simples e genial.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Pensar e criar

“Uma nova ideia vem de repente e de um modo bastante intuitivo”, Einstein disse certa vez, “mas a intuição não é nada mais do que o resultado de experiências intelectuais anteriores.”

"Aquilo que parece ser um salto inovador — o momento Eureca — é na verdade o resultado de um processo evolucionário que ocorre quando ideias, conceitos, tecnologias e métodos de engenharia amadurecem ao mesmo tempo. Nenhum dos modos de compreender o avanço tecnológico é, sozinho, completamente satisfatório."

Walter Isaacson, Os Inovadores - uma biografia da revolução digital

Ser

"Ser alguém tem algo de grave. Não há outra opção, você precisa carregar sozinho esse fardo que é você mesmo para todo lugar."

João Paulo Cuenca, "Corpo presente"

sábado, 16 de março de 2013

Tantos homens que sou

MUCHOS SOMOS
Pablo Neruda

De tantos hombres que soy, que somos,
no puedo encontrar a ninguno:
se me pierden bajo la ropa,
se fueron a otra ciudad.

Cuando todo está preparado
para mostrarme inteligente
el tonto que llevo escondido
se toma la palabra en mi boca.

Otras veces me duermo en medio
de la sociedad distinguida
y cuando busco en mí al valiente,
un cobarde que no conozco
corre a tomar con mi esqueleto
mil deliciosas precauciones.

Cuando arde una casa estimada
en vez del bombero que llamo
se precipita el incendiario
y ése soy yo. No tengo arreglo.
Qué debo hacer para escogerme?

Cómo puedo rehabilitarme?
Todos los libros que leo
celebran héroes refulgentes
siempre seguros de sí mismos:
me muero de envidia por ellos,
en los filmes de vientos y balas
me quedo envidiando al jinete,
me quedo admirando al caballo.

Pero cuando pido al intrépido
me sale el viejo perezoso,
y así yo no sé quién soy,
no sé cuántos soy o seremos.
Me gustaría tocar un timbre
y sacar el mí verdadero
porque si yo me necesito
no debo desaparecerme.

Mientras escribo estoy ausente
y cuando vuelvo ya he partido:
voy a ver si a las otras gentes
les pasa lo que a mí me pasa,
si son tantos como soy yo,
si se parecen a sí mismos
y cuando lo haya averiguado
voy a aprender tan bien las cosas
que para explicar mis problemas
les hablaré de geografía.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

A self-meta-auto-citação de si-mesmo-próprio

(Escrevo isso ainda sob efeito do clipe de Eu quero tchu, eu quero tcha, featuringue Neymar, exibido pelo Fantástico há pouco)

Certa vez li num texto desses moderninhos da comunicação que os estabelecimentos comerciais contemporâneos são "outdoors de si mesmos".

Associei essa ideia ao fato de que, realmente, algumas lojas têm placas tão grandes e berrantes que ocupam toda a fachada, e fazem o interior parecer uma tímida venda, onde se comercializa os produtos anunciados.

A citação dirigida a si mesmo me incomoda na música. Mesmo sutil, sempre me soou estranha aquela espécie de refrão autorreferente do clássico Redemption Song, de Bob Marley. É como se a música dissesse: "Não tenho um refrão bom, mas meu nome é ótimo, grave-o na cabeça e lembre-se de mim para sempre. Por favor."

(Desculpa, Bob, eu te adoro)



Bem menos discreto foi o É o Tchan, quando ainda se chamava Gera Samba. A banda fez uma frase completa - 75 caracteres, ao todo - de reclame publicitário para anteceder o inesquecível estribilho da Dança do Bumbum:

Agora o Gera Samba mostra pra vocês / A dança do bumbum que pegou de uma vez

(Tenho vergonha de reproduzir a continuação da música, então vou deixar meio apagadinho só para quem ainda não pegou.)

Bota a mão no joelho, dá uma abaixadinha / Vai mexendo gostoso, balançando a bundinha



Mas até o É o Tchan parece de uma timidez bárbara ao lado de Eu quero tchu, eu quero tcha, da dupla João Lucas e Marcelo.

Eles inverteram a lógica. Conseguiram fazer uma letra que contém mais autorreferência do que, digamos, "letra efetiva", conforme constatei ao completar o estafante trabalho de ler a composição inteira.

Localizei, ao todo, 86 caracteres de "letra efetiva", não publicitária, fora o refrão. Ó:

Cheguei na balada / doidinho pra biritar,
A galera tá no clima / todo mundo quer dançar

Todos os 717 caracteres restantes são autorreferências inequívocas, o que, provavelmente, é passível de registro no Guiness Book. Olha só:

O Neymar me chamou, e disse "faz um tchu tcha tcha",
Perguntei o que é isso, ele disse "vou te ensinar".
É uma dança sensual, em Goiânia já pegou,
Em Minas explodiu, em Santos já bombou,
No Nordeste "as mina" faz, no verão vai pegar,
Então faz o tchu tcha tcha, o Brasil inteiro vai cantar.


Com João Lucas e Marcelo,


Eu quero tchu, eu quero tcha
Eu quero tchu tcha tcha tchu tchu tcha
Tchu tcha tcha tchu tchu tcha (2x)


(Cheguei na balada, doidinho pra biritar,
A galera tá no clima, todo mundo quer dançar,) Trecho "imune"
Uma mina me chamou, e disse "faz um tchu tcha tcha",
Perguntei o que é isso, ela disse " eu vou te ensinar".
É uma dança sensual, em Goiânia já pegou,
Em Minas explodiu, em Tocantins já bombou,
No nordeste as mina faz, no verão vai pegar,
Então faz o tchu tcha tcha, o Brasil inteiro vai cantar.



quarta-feira, 20 de julho de 2011

Simples e genial

Andei pensando sobre quais as qualidades mais desejáveis para qualquer coisa.
As melhores qualidades. O que é o bom mesmo, o melhor bom possível.
O melhor elogio a se dar para algo ou alguém.

Não tenho dúvida:

Simples e genial.

O que é melhor do que simples e genial?
Simples e genial é muito melhor do que complexo e interessante, denso e provocador, rebuscado e instigante.

O que é complexo, denso ou rebuscado não foi trabalhado o suficiente para chegar na síntese simples. E genial.

Ah, e belo, é claro.

Nada é genial e feio.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Previsão do findi

Na sexta, previ tudo o que faria no findi em Porto Alegre/Pelotas, a pedido do meu pai. Segue o balanço de acertos e erros.

***

7/5, sábado

9h12: abrir o olho, olhar o relógio e voltar a dormir. (Exato)

11h34: acordar e levantar da cama. (Mais preciso impossível)

11h35-13h26: vegetar, tomar um iogurte e reclamar que não tem toddy nem leite na geladeira, tomar banho, atualizar os assuntos com meu irmão dizendo "ah é?!" e rindo no final, zapear na TV e sair pra almoçar. (Errei. Tinha leite na geladeira)

15h23: concluir o almoço e ir morrer em casa, ou no cinema, ou em alguma exposição, enfim. (Fomos ao Iberê Camargo)

20h48: dizer "tá, o que a gente vai fazer, afinal?", e começar uma rodada de conatos por telefone, MSN, facebook e assemelhados e acabar indo lá pelas 22h47 em um bar e/ou festa. (Foi um pouco mais cedo, mas certo: pelas 21h36 chegamos à Casa de Teatro, depois à Toca)


8/7, domingo

9h24: abrir o olho, olhar pro relógio, ir na cozinha pegar uma garrafa d'água e voltar a... não! Peraí! Tá na hora de pegar o ônibus pra Pelotas! Rápido, pega a mala, me leva lá?! (Sarcasticamente correto)

13h15: chegar em Pelotas, ser buscado pelo Pai e ir direto no Barracão. Ligar pra mãe, cumprimentar as tias e a vó, comer um monte de carne e meia torta de limão. (Errado: esquecemos a torta de limão em casa. Tivemos que nos contentar com o pudim)

16h27: chegar em casa, ainda explodindo, e deitar no sofá até a hora do jogo do Brasil (de Pelotas, claro). Ligar pro Negão e pro Pereira e tentar combinar algum tipo de encontro, apesar do Gre-Nal. (Isso mesmo. Dormi no sofá no Gre-Nal, depois acordei e fui na casa do Negão. Pereira foi buscá-lo)

19h: ir no jogo do Brasil, sofrer até os 33 do segundo tempo, quando, em uma jogada bisonha, o Ramos acabar empurrando a bola pra dentro do gol. Aguentar até o final do jogo e comemorar o 1 x 0. (O melhor dos erros: fizemos 3 a 0, soberanamente, contra o poderoso Esportivo de Bento Gonçalves.)

21h03: Voltar caminhando e comentando o jogo pela Princesa Isabel, com o radinho ligado, sentindo o cheiro do churrasquinho de gato da porta do estádio, e dizer que "se continuar assim não vai dar". (Exato, exceto pelo comentário: achamos que o time está bem)


21h47: sair correndo pra rodoviária pra pegar o ônibus das 22h para POA. (Não tinha passagem pras 22h, então fui às 21h30. Tivemos que correr ainda mais)